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sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Involuntariamente.


Eu te olhei e você me olhou
O interesse surgiu no mesmo instante,
como mágica.
E agora, não consigo mais ficar sem te ver.
Não quero virar seu melhor amigo, apenas.
Quero ser seu homem.
Você sentiu o que eu senti?
Músicas tocaram, flores se abriram
E teus lábios a me sorrir
Diga-me que sentiu o que eu senti.
Se quer que eu responda
Eu digo sim
Quando te olhei, sim
Eu sorri
Foi involuntário, não sei explicar
Eu só queria ficar perto de você
Eu só pensava em te tocar
Uma coisa assim
Acho que nunca senti
Pra ser sincera nem acreditava mais em paixão
Mas quando te vi,
Involuntariamente sorri
Logo entendi que é assim, que se expressa o coração.

05/10/09

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Corre pro abraço.


Era uma vez

Uma menina que acreditava nas pessoas

E queria continuar acreditando nisso


Eu prometo que,

Ela vai ser sua

Se não agora, com certeza num dia desses

Espere, aguarde e verás

As coisas vão se ajeitar

Ela está te dando outra chance

Porque você não agarra logo com todas as forças que conquistou nesses últimos anos?


Talvez ela tenha te feito sofrer,

Muito ou pouco, não importa

Sofrer nunca é bom

Mas já ouviu falar de indenização?

É isso que ela quer te dar


Te mostrar um sorriso sincero todo dia

Se preocupar com sua vida e com o que te cerca

Estar sempre do teu lado

Fazendo valer o amor que você sente por ela


Porque você não pára de perder tempo

E corre logo pro abraço?

sábado, 10 de outubro de 2009

Alguém.


Ela andava meio perdida. Tinha tudo aquilo que queria. Amigos, família e luxos. Pagava suas contas, dirigia . Tinha a cabeça boa. Estudava, era boa nisso. Trabalhava, era esforçada. Vivia em baladas, festas e afins. Mas não se sentia completa. Faltava alguma coisa. Faltava um ombro pra encostar e sorrir. Faltava um sorriso pra admirar, uma mão pra se agarrar, braços pra se apoiar.

Ela se sentia só. Porque, por mais que procurasse era sempre o mesmo blábláblá que ouvia da boca de todos os homens com quem se envolvia. Tudo sempre terminava, da mesma forma que havia começado.

Ela só queria uma sincera companhia. Alguém pra acarinhar. Alguém com quem pudesse se preocupar, e cuidar. Alguém que conseguisse lhe amar.


sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Superficialidade.

Eu decidi sair com meus amigos. Sexta à noite, dia de tomar uma, relaxar, se divertir. Não consegui fazer nenhuma dessas coisas. Por causa de promessas, mancadas, vontades e dúvidas. Fiquei de lá pra cá, olhando as pessoas e suas inúteis relações.

Foi quando, enquanto uns amigos se questionavam o porquê de eu estar calada e esquisita, ouvi um deles dizer que eu era diferente mesmo e que era complicado saber o que se passava na minha cabeça. Falou que eu era, um tanto quanto, indecifrável.

Talvez eu seja, ou talvez não. Talvez as pessoas estejam tão preocupadas em serem superficiais ao extremo que esquecem, ou têm preguiça mesmo, de parar alguns instantes e observar alguém. E procurar saber suas angústias, seus medos, seus sonhos, seus anseios. Talvez as pessoas não se preocupem mais com essas coisas, ou nem tenham tempo.

Mas eu sinto muito, sinto muito por não conseguir seguir a massa. Eu seria hipócrita em dizer que não tento, mas sou verdadeira quando digo que não consigo. Não consigo não ser de verdade com as pessoas, não consigo viver de falsidade, mentira, superficialidade.

Eu não quero um relacionamento de conto de fadas. Não quero um manto protetor em volta dos que gosto. As pessoas têm defeitos mesmo e a graça estar em aprender a viver com eles. Porque, sempre, extrair apenas o que lhe é conveniente? Porque exigir e não dar? Não, cansei desse mundo, desse jeito. Como diria Clarice, ‘com toda essa superficialidade medrosa’. Eu quero mais, quero muito além disso tudo.

Num bar, sexta feira à noite, as pessoas se olham e se comem com os olhos, e com a boca, com as mãos, com o pensamento. As pessoas pecam. Destroem relacionamentos e seguranças, destroem confiança. Confiança conquistada depois de anos, se dilui.

São apenas sorrisos bonitos, pessoas que fingem felicidade, a todo custo. Pessoas que terminam relacionamentos da mesma forma que começam, sem pra quê. Pessoas que mentem pra não ficar por baixo. Pessoas que querem ferir e matar. Matar o ego, matar auto-estima, matar o amor.

Não, eu não me rendo a isso. Não me rendo ao não sentimento. Não me rendo à mentira, não me rendo à superficialidade. Quem quiser que me julgue estranha. Que me chame de encalhada, que diga que ta me faltando homem. Quem quiser que diga qualquer coisa. Vai ver eu sou estranha mesmo. Estranha por querer algo de verdade na minha vida. Algo além de um sorrisinho bonito na sexta à noite, algo além de um cara com carro e dinheiro na carteira pra pagar minha cerveja, algo além de um cara com namorada que deixa ela em casa e mente.

Se isso é ser estranha, diferente. Sou isso aí sim. Sou porque não quero pouco, nem pela metade. E antes de ter a mentira, prefiro não ter nada.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

A personagem principal.


Ela era apenas uma menina
Com meias até os joelhos
Ela era uma garota
Sem sorte em relacionamentos

Ela queria brincar de ser amada
Sentir frio na barriga
E todas aquelas coisas que as amigas dela falavam

Ela tinha meias de todas as cores
Colecionava amores
Em vão
Pessoas vazias,
Botões

Ela ainda brincava de boneca
E nessa história era ela
A personagem principal
A princesinha do castelo
A rapunzel que teve que descer da torre
Indo em busca do seu príncipe encantado
A chapéuzinho que correu para a estrada em busca do lobo mal
Porque nunca soube fazer biscoitinhos pra vovó

Coração birrento.


Esse final de semana eu saí, fui curtir com as amigas, desopilar, dançar, sorrir.
Eu vi, vi pessoas se beijando. Vi pessoas se agarrando. Vi pessoas seduzindo, e sendo seduzidas.
Vi falsos sorrisos, beijos de mentira.
Meu Deus, como é tudo tão superficial. Como é que tudo isso me bastava?
Chega um certo momento da vida em que precisamos amar.
E quando o coração chega ao ponto de implorar por amor não adiantam os paleativos.
Não adianta sair e numa noite beijar sete gatos distintos.
Não adianta receber o telefonema daquele cara muito lindo que não quer nada muito além de te levar pra cama.
Não adianta receber carinho de amigo, nem dançar agarradinho com um desconhecido.
Quando um coração pede amor, meu amigo. Ele quer amar, quer amar de verdade.
E se você não dá o que ele quer...
Ah, o coração é menino chorão.
É criança birrenta que grita, faz escândalo e se atira no chão.
Faz isso tudo só pra chamar atenção.
Mas a grande diferença é que pra criança birrenta sempre há solução.
Pode ser um carrinho, uma boneca, um videogame, um patinete.
Já com o coração, a coisa é bem diferente.
Porque o presente que esse mimado cheio de gostos quer, não vem de você, vem de um outro que às vezes você nem sequer chegou a conhecer.
E a única alternativa é esperar o dono do presente chegar.
Enquanto ele não chega, nem se preocupe.
O coração não vai te deixar em paz. Ele vai gritar, chorar, bater pra caramba dentro do teu peito.
Implorando por algo que você nem sabe se existe.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Conto de fadas falido.


Ei, você em algum lugar.
Por favor, me encontre.
Eu já não aguento mais tantas noites sem carinho,
nas quais durmo sozinha,
quanta solidão.

Por favor, se estiver me ouvindo
Pára de se esconder e se apresenta
Eu vou terminar desistindo, desacreditando
Achando que nada mais compensa.

Toda noite é sempre a mesma coisa
Deuses gregos, vampiros
Homens sem direção
E eu aqui, entre tantos erros
Esperando que você me ache e me estenda a mão

Ei, você
Me tira daqui
Eu não quero mais carne
Não quero príncipe, cavalo branco
Eu só preciso que você pare
E encontre em mim, algo a que consiga devotar algum amor

Acho que comecei a acreditar que sou tão pouco
Mesquinha, egoísta
Na vida amorosa, nunca dá certo pra mim
Por isso, por favor
Se estiver me ouvindo
Corre aqui e me mostra que me enganei
Diz que se atrapalhou, que pegou a estrada errada
Eu te perdoo
Eu acho que posso aceitar, qualquer desculpa esfarrapada

Mas não me faz feliz pela metade
Me assume, me faz feliz pra sempre
Porque eu já não aguento mais
Viver nesse mundo cor de rosa com bordas brancas
Nesse conto de fadas falido.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Esperança.


Disseram que era verde e acreditamos nisso até hoje
Faz com que não percamos a vontade de viver
Nos impulsiona a ver, sempre, um novo amanhecer

Falaram também que é a última que morre
Se é lenda urbana, eu sinceramente, não sei
Mas é bem verdade que nos instiga, dá forças, reanima.
Seu nome é esperança, coisa que todos deveriam ter.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Escolhas.


Queria alguém que pudesse tomar essa decisão por mim. Mas a vida é minha, os problemas ou soluções [não sei ao certo agora], são meus. E sou eu que vou sofrer ou usufruir das consequências de minhas opções.
Sempre gostei de dar nome. Conceituar, classificar, colocar os pingos nos is. E fico perdida quando procuro um nome e não sei qual dar. Fico maluca quando não acho um sentimento no dicionário. Sou capaz de pirar por não conseguir me explicar. E me apeguei a conceitos, a meras explicações aportuguesadas de sentimentos que não devem ser explicados. Procuro, desesperadamente, por nomes de sentimentos que não existem, que são impossíveis de classificar.
Como eu disse antes, a vida é minha. E eu preciso ser madura pra tomar decisões e aceitar perdas. Perdas vão existir sempre que houver um caminho bifurcado como o meu agora, e eu só tenho que perceber o que vai ser mais duro de perder. E aceitar, de coração aberto, tudo aquilo que vou ganhar.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Promessa.


Se você prometer ficar ao meu lado e me apoiar. Se você disser que vai ser sincero, que nós vamos brigar, que eu vou chorar e que você vai vir correndo me abraçar. Eu também prometo que vou ser tua, só tua. Eu prometo que vou querer ser tua.

Basta você dizer que no dia do meu aniversário você vai se lembrar de mim e vai me amar como ninguém. Promete que vai me dar broncas e que quando eu estiver cansada vai me oferecer teu colo e vai me acarinhar. Diz que vai se preocupar com minha carreira profissional, que vai se preocupar com meus sonhos, com meus desejos. Diz que vai me achar a mulher mais linda do mundo mesmo quando eu estiver de espinha na cara, com o rosto coberto de creme verde ou quando eu tiver acabado de acordar e fala também que quando eu tiver de tpm você vai se estressar com meus pitis e logo em seguida vai rir e me abraçar dizendo que ta tudo bem. Promete que vai sair à noite e me acompanhar nas minhas baladas, mas que também vai preparar um jantar à luz de velas num dia qualquer. Que vai sair de madrugada, da nossa cama quentinha, pra me comprar um remédio, me levar ao médico ou acalmar nosso filho que acordou com medo, no quarto escuro. Promete que vai ser só meu e que até vai olhar pra uma bunda que passar na rua ou chamar uma mulher da tv de gostosa só pra me irritar.

E eu prometo que vou te fazer feliz. Vou me dedicar a você e à nossa vida com todo amor que eu sempre guardei. Eu prometo que vou estar ao teu lado nas tuas decisões e que vou te fazer o cafuné mais gostoso do Universo.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Selinho ;]



1. Exibir a imagem do selo "Vale a pena acompanhar esse blog!" que você acabou de ganhar, com o link do Blog de quem indicou e um link do criador do Meme.

2. Escrever as regras em seu blog.

3. Indique no Mínimo 5 blogs e coloque os links de seus indicados no final do post (O limite máximo de indicações de blogs cada um determina conforme achar conveniente).

4. Avisar a pessoa que você a indicou, deixando um comentário para ela.

5. Conferir se os blogs indicados repassaram o selo e as regras.

Objetivo deste selo: mostrar reconhecimento aos valores dos blogueiros, que a cada dia demonstram empenho por transmitir valores sejam eles,culturais, sociais, éticos, pessoais ,literários ,entre tantos outros valores que cada um possui. É também uma forma de interação entre nós, blogueiros! Palavras da Clau do http://mundodarkness.blogspot.com/

6.Responder as perguntas:


1) Por que resolveu criar o blog?

Resolvi criar o blog como forma de desopilar de forma organizada as coisas que sinto. Eu sempre escrevi em cadernos e acabava deixando tudo de lado. Até que um amigo exigiu que eu tomasse mais cuidado com tudo que eu escrevesse e me fez prometer que eu colocaria tudo num único caderno. Isso ainda não consegui, fato. Mas resolvi colocar no blog porque posso associar com fotografias, outra paixão minha.


2)O que te dá mais prazer em blogar?

Acredito que é o reconhecimento. É saber que outro alguém, que nem faz idéia de quem sou, se identifica com o que escrevi. É perceber que coisas que julgava tão minhas, não são só minhas. É poder ser eu mesma, livre de padrões. Como li uma vez: “escrever é um modo de falar sem que interrompam a gente”.

3)Qual o assunto que você mais gosta de postar?

O assunto que eu mais escrevo: AMOR. É o que me impulsiona, o amor e todas as suas variáveis.


4)Por que escolheu esse nome para o blog?

Porque cada texto que escrevo é um fragmento do que sou.


5)Você costuma visitar outros blogs?

Sempre. E aprendo muito com eles.


Obrigada a http://mollfry.blogspot.com/ por ter me dado o selo. Indico além desse blog:

........:::: aTé oNDe Vai :.../A arte de viver em paz/A magia da noite/Além do aparente./

Dias de contos/ E se fosse verdade?/ MEU MUNDO QUADRADO/ Pensamentos By Nathy/ Pensamentos soltos.../ Someone Else/ Soneto da Primeira Hora/ Uma cabeça pensante!/ ٠•●●*●๋• ZeN CoMENtáriOS٠•.../ estrela não deixe de brilhar./ Vastas emoções e pensamentos imperfeitos

domingo, 9 de agosto de 2009

Não nasci por acaso.


Eu não nasci por acaso.
Além da disputada corrida de espermatozóides... Cara, eu nasci de um sarro! Tinha tudo pra dar errado, mas vem dando certo. Cá estou eu. Então, que me perdoe você. Este cara, em algum lugar, que vive me pregando peçlas e desilusões. Me perdoe, mas eu não desisto tão fácil.
Enfrentei poucas barras na minha vida. Mas procurei amadurecer com elas. Tirei muito proveito dos mínimos problemas que tive nesses dezenove anos.
Eu sempre fui procurada para dar conselhos e sempre me preocupei demais com os que estão ao meu redor. Acho importante, e isso se chama consideração, a falta do conteúdo dessa palavrinha mina qualquer relacionamento.
Sempre fui controlada. Por isso não se preocupe. Eu não vou chorar, me atirar num poço ou te atrpelar com um carro quando as coisas forem diferentes do que eu havia pensado. Eu nunca gostei muito de pedir, não mendigo atenção, mas agradeço o que me é dado de bom grado.
E aprendi, com o tempo, a ficar sempre bem. Porque independente de qualquer coisa eu ainda tenho a mim e ao novo dia que vai nascer amanhã, invariavelmente.

[29.07.09]

quinta-feira, 30 de julho de 2009

A Borboleta.


Uma borboleta pousou em minha janela
Era amarela, bonita, esbelta
Se apresentou como Carmela
E disse que dali não sairia

De cara, me espantei com a audácia dela
Mas como era bela!
Deixei-me admirar

Ela me contou histórias de onde tinha passado
As flores que tinha falado
Os amores que havia plantado
E me convidou pra ir com ela
Fiquei incrédula, nem borboleta eu era

Foi quando Carmela me explicou
Falou que apesar de não ter asas eu possuía um coração
E que cada pessoa era como uma flor
Que era minha decisão, regá-la ou não

Quando perguntei pelo amor
Carmela hesitou
Enfim respirou e disse
Que apesar de parecer, o amor não estava em crise
E que ele também era uma flor
Só que agora, de aparência triste

E continuou, que se dele eu cuidasse
Sem atentar para a beleza das rosas
Mas sim para o bem delas
Eu veria, não sem demora
O sol raiando no horizonte,
A flor do amor se abrindo
E Carmela, pousando nela.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Hora de Crescer.

A gente olha pra trás e vê que passou tanto tempo acomodada e agora, tirar o traseiro da cadeira do pc faz medo. Mas é necessário, pro meu próprio aprendizado, pro meu próprio crescimento. É necessário se cortar um pouco, se ferir. Algumas horas vai doer, mas é preciso crescer! Mudar, transformar. É preciso ir frente com a cara e a coragem. É preciso perseverar pois dos próximos anos dependem minha vida inteira. É preciso, de verdade, crescer!


[31.01.09]

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Fazendo as malas.


Era chegada a hora de partir, de ir embora. Jéssica sempre sabia quando era a hora de partir. Vivia assim, de lá pra cá. Permanecendo onde quer que fosse apenas enquanto sua companhia era agradável. Sempre levava algumas pessoas e alguns detalhes de onde havia estado. Nunca saia de canto algum de mãos vazias, apesar de muitas vezes atadas. Não era escolha sua viver dessa forma, mas a sensação que ela tinha é que alguém tinha posto prazo de validade nela. Prazo de validade pra cada lugar, pra cada pessoa. Mais ou menos como dez meses e alguns dias pra ele. Ou três anos e dois dias pra ela. Mas era certo, ela não valia pra sempre. Então, quando percebia que seu prazo havia expirado, Jéssica sempre fazia isso. Arrumava sua mala e ia embora passar mais um prazo determinado em um outro lugar, com outras pessoas e novas experiências. É certo que saudade ela sempre deixou por onde passou. É certo que, algumas pessoas que a atentaram que sua validade já havia expirado, hoje querem reaver isso e insistem que a saudade é grande, que não há códigos de barra, não existem preços, medidas. Não existe validade. Mas Jéssica já conhece como as coisas funcionam nesse grande supermercado. Sorri, apagando sua tristeza. Coloca o que ficou de bom na sua mala e parte em busca de mais.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Um jovem casal que me fez pensar.


Hoje, enquanto preparava meu jantar, olhei pela janela da cozinha e observei um casal. Um casal jovem. Pra ser sincera, eram duas crianças. Por um momento eu fiquei meio horrorizada. Na verdade horrorizada não era a palavra, mas eu cheguei perto disso. Minha primeira reação foi pensar: “Qual a idade daquelas duas criaturas?”. Resolvi ficar observando. E, acredita que eu cheguei a ter inveja daquela garota? O casal estava apenas abraçado numa noite fria. Um abraço aconchegante. Os dois sorriam, não pareciam existir problemas em qualquer parte do mundo.

Eu lembrei de quando eu tinha treze anos e trouxe um namorado em casa. Um rapaz de dezessete anos, nada simpático, cabelos louros e compridos, adorava rock, vivia de preto e tinha fotofobia ótica. Meu pai nem o cumprimentou, mas depois se tornaram grandes amigos. O mais legal é que eu era patricinha, vivia de rosa e adorava pagode.

Eu sei que não vem ao caso esse meu namoro da adolescência, que até teve uma duração. Mas é que hoje, ao ver aquele casal tão novo, eu me dei conta de algumas coisas.

A primeira delas é que eu realmente tô ficando adulta. Adultos esquecem o que fizeram quando eram jovens. Esquecem que foram inconseqüentes, que agiram por impulso, emoção. E esquecem que aos treze se sentiam com maturidade de vinte. Sempre acham que aquele casal de adolescentes é muito novo pra namorar e que deviam era ta estudando.

A segunda coisa que descobri é que, aos treze, eu não trabalhava, não estudava com a responsabilidade de hoje, não pagava minhas contas, não saia sem permissão dos meus pais nem sem a carona deles. Eu não pegava ônibus sozinha, não entrava em locais proibidos pra menores, não bebia, não chegava em casa de manhã, não dirigia nem dormia fora de casa, eu nem sequer tinha as chaves da porta. Mas eu tinha alguém do meu lado. Alguém do sexo oposto, que me amava SIM. E quando eu brigava com meus pais, quando eu tirava uma nota baixa ou quando me desentendia com as minhas amigas eu podia contar com ele. Com um abraço durante as noites frias e uma massagem na barriga nos dias de cólica. Tinha alguém que matava e morria de ciúmes por mim.

E eu fiquei analisando... Eu era uma menina apaixonada que tinha um cara por mim. Hoje sou uma mulher, praticamente independente, caminhando pra ser completamente realizada, mas não consigo ter uma relação bacana e madura como a que eu tinha há seis anos atrás.

Culpa minha? Dos homens? Isso pouco importa. O mais engraçado é que eu, com quase vinte anos tive inveja de uma menina com pouco mais de dez. E que ela, talvez, ao olhar pra mim também sentisse inveja desse meu jeito, meio livre e covarde, de viver.

Ser Mulher.


Hidratação. Cabelos bonitos e bem cuidados. Sempre cheirosos e bem lavados. Lisos, mistos, escovados ou cacheados. Pintados, bem cortados. Brilhosos e sedosos. Pele sem manchas, sem espinhas. Nem oleosa, nem seca. Levemente bronzeada e sem olheiras. Sobrancelha feita, pinça, depilação. Das pernas, axilas, virilha, buço. Depila, puxa, estica, arranca. Zero pêlos. Dentes alinhados e brancos. Hálito fresco e unhas feitas. Colo bonito e perfumado. Seios firmes, barriga tanquinho, bumbum avantajado, pernas torneadas e pés delicados.

Tem trabalho, faculdade. E como se fosse pouco, umas tem filho, casa e marido. À noite sair com as amigas ou o namorado. Barzinho, balada cinema, quase qualquer buraco. Aí vem outra novela. Chapinha, roupa nova, salto alto. Tem a base, o pó compacto, o lápis, a sombra, o delineador, o curvex, o rímel incolor e em seguida o preto. Tem o corretivo, o blush, o batom, o gloss, o brinco, o colar e O BENDITO SALTO ALTO A NOITE INTEIRA! A bolsa tem que combinar com a roupa, a sandália tem que combinar com a roupa, até a própria roupa tem que combinar com a roupa. É um brinco pra cada caso, um calçado pra cada caso. Um colar, um anel, uma calça, uma bolsa. Cada um para cada caso.

Como se não bastasse tem a TPM. Ou você acha que a singela idéia de ficar com uma ‘almofadinha’ entre as pernas por intermináveis dias é agradável? Ainda tem academia, regime e salão.

Temos que agüentar os sem-noção que nos aparecem. O cara chato que não pára de ligar e o imbecil que não faz seu telefone tocar. Temos os problemas das amigas pra ajudar e as falsas amigas que tentam nos derrubar.

Os pais nos cobram que sejamos princesinhas, enquanto a vida engana que legal mesmo é ser promíscua.

E eles ainda abrem a boca pra nos chamar de complicadas? Fiz um resumo bastante enxuto do que é ser mulher, isso não é nem o terço. E eles não queriam que fossemos complicadas? Por tudo que passamos durante a vida, complicadas é o mínimo que poderíamos ser!


Parabéns a você mulher!

[23.07.09]

quinta-feira, 23 de julho de 2009

O que, de fato, importa.


O que fica nesse mundo é o que fazemos pelos outros. Pois, quando partimos, nossas ações permanecem nos corações dos que ficam.

Monólogo.


A moça disse ao moço:
"-Você não sabe sofrer."

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Organização.


Tenho costume de procurar os significados das palavras no dicionário. Procuro palavras novas ou palavras que já conheço. Hoje eu procurei o significado da palavra organização, acredito que é porque é isso que to estabelecendo como meta na minha vida neste momento.

Encontrei como definição da minha palavra de hoje: Pôr em ordem, arrumar; dispor para funcionar.Constituir em organismo. Preparar. Estabelecer as bases de. Tomar forma regular; constituir-se; formar-se.

Organizar é o que comecei a fazer com a minha vida esses dias. Não que ela estivesse um descontrole total, uma bagunça como estava meu guarda-roupa. Ao contrário, minha vida sempre esteve em ótima sintonia com o mundo e eu estou sempre muito satisfeita com ela. Mas nesses dias eu descobri que haviam pequenas coisas no meu dia a dia que me incomodavam. Coisas simples, de muito fácil resolução. Coisas tão simples que talvez por este fato eu sempre as adiava.

Resolvi organizar minha vida. Organizar sentimentos, cartas, desejos, papéis, amizades, roupas, livros. Resolvi pôr tudo isso em ordem. Comecei a cuidar de mim. Fiz compras, me dei um pouco de luxo. Coisa que nunca faço por ser muitíssimo controlada. Arrumei meu quarto que já fazia tempo que estava precisando de uma faxina. E, da mesma forma que estou arrumando minhas coisas em suas determinadas gavetas estou copiando isso na minha vida. Simplificando as coisas, deixando-as mais acessíveis, mais fáceis.


terça-feira, 21 de julho de 2009

Permita-me.

Permita-me parar um pouco de falar sobre o amor. Sobre tristeza, sobre saudade, mentira, falsidade. Permita-me esquecer, por agora, que tudo isso ainda existe e que eu tenho um coração que palpita no meu peito. Deixe-me ser um pouco luxuriosa e dizer que comprar vicia. Deixe-me cuidando da minha pele, dos meus cabelos, da minha vida. Deixe-me sair um pouco com minhas amigas e dançar um batidão de funk. Eu não quero mais saber, nem cogitar o que as pessoas sentem por mim ou o que deixam de sentir, isso pouco importa. Vou deitar e dormir até tarde, começar a malhar, comprar uns óculos e gastar minha indenização em coisas que me deixem mais bonita. Como diz o brega que eu aprendi em seu bairro: “vou me valorizar”. Eu cansei de ser a menina legal com um coração bom, cansei de ser a garota pouco fútil que você não dá a menor bola, cansei de te olhar de forma significativa e de tentar te dar as costas enquanto você aproveita pra olhar a minha bunda.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Quem avisa, amigo é.


Cara, você devia prestar mais atenção nela. Na forma que ela mexe os cabelos e os joga para trás, na forma como ela te olha cheia de desejo carinho. Já percebeu quando ela ta em dúvida? A forma tão singular que ela morde o lábio inferior? O jeito que ela te abraça, o cafuné dela nos teus cabelos, a atenção que ela tem a tudo que te interessa.

Você devia prestar atenção nas lágrimas dela, no jeito intelectual que ela adquire enquanto estuda na faculdade e ensina a matéria aos amigos. Devia vê-la dormindo e tudo que ela pensa antes disso. Você devia vê-la tomando banho, escovando os dentes, se hidratando, se vestindo e até se despindo. Devia vê-la brigando e acordando.

É sério cara, você devia vê-la falando de você, devia ver a cara dela quando sente o teu perfume ou sentada na cama olhando o céu pela janela. Você devia vê-la escrevendo, rindo, gargalhando. Devia perceber que às vezes o nariz dela tem vida própria e que a dentição dela também não é perfeita. Perceber que ela rói unhas e você tem a maior parcela de culpa nisso. Devia vê-la angustiada, ver os olhos dela marejados sem derrubar uma lágrima.

E quando ela sai. Devia estar na mente dela. Entender porque ela não vê graça em mais ninguém e observar a forma sutil e delicada que ela esnoba cada pretendente. O jeito desengonçado que ela dança, o olhar de canto, o sorriso meia boca.

Você devia saber o medo que ela tem que você se apaixone por alguém, por uma qualquer, por uma conhecida ou até por uma amiga dela. Devia sentir aquele coração palpitando só de pensar nisso.

Cara, você devia parar, pensar, experimentar olhar pra ela.

[se eu fosse homem, era mais ou menos isso que eu diria a ele]

[15.07.09]

terça-feira, 14 de julho de 2009

Algumas coisas que descobri.


Nunca se dedique tanto a ninguém que você conheça, pois invariavelmente você vai esperar a mesma dedicação de volta e poucas vezes vai recebê-la. Se dedique aos que precisam, aqueles que você não vai encontrar depois, aqueles que você não tem como esperar gratidão. Você pode até argumentar que se deve dedicar-se a quem se ama, por puro amor. Mas não se engane, quando você precisar você vai esperar aquela dedicação de volta.

Nem sempre leve os médicos e suas doenças e viroses muito a sério, a maioria das nossas mazelas é puramente espiritual. Nunca peça aos céus algo que você não tem certeza que quer, pois seu pedido vai se realizar exatamente nesses casos. Quando estiver precisando de Deus nunca procure pessoas que sirvam de ponte ou instrumento de fé, procure dentro de você que há de encontrar. E, se você não acredita em Deus converse com seu próprio coração; na minha humilde opinião, dá no mesmo. Quando quiser se distrair sintonize a rádio em qualquer estação que proclame o nome divino. É tanto charlatanismo, tanta psicose e poder de persuasão que te entreterá por um longo período. Não ache que toda e qualquer coisa é um sinal. Não acredite em tudo que lê, vê ou escuta. Procure dar uma chance para novas escolhas. Não tenha medo de sofrer novamente. Só mate formigas quando elas te provocarem primeiro e se tiver algum tempo livre, observe-as. Conheça novas pessoas, novos estilos de vida. Se permita descobrir. Nunca descarregue seu negativismo em ninguém; lembre-se, ele é SEU. Arrote mortadela. Acredite em estrelas cadente, elas existem! Descubra o prazer de ler e escrever. Não tenha a pretensão de achar que as pessoas estão te desejando mal, que esse período ruim da tua vida é por causa de inveja ou olho gordo. Acredite, todos estão preocupados demais com o próprio umbigo, além de quê só você tem o poder de se destruir. Só te atinge aquilo que você permite.

Pinte, acredite no poder das cores. Preserve os amigos. Pare de pensar tão mal dos outros. Perdoe os verdadeiros amigos SEMPRE que eles precisarem do seu perdão. Aprenda a pedir desculpas mesmo quando estiver certo, nunca sabemos o que pode ter magoado o próximo. É melhor pecar pelo excesso. Sinta-se bem. Seja sincero. Fale o que sente, li que falar alivia as dores emocionais. Se quiser, proclame ou experimente escrever, ambos geram o mesmo resultado. Aproveite as oportunidades, mas se deixar alguma passar se agarre na próxima. Se embriague uma vez na vida. Melhor, faça quase tudo uma vez na ida. Elogie. Não discuta quando estiver com raiva. Prefira o ódio à indiferença. Cante. Seja humilde. Sorria. Se cuide, ninguém fará isso por você. Ame. Agradeça nem que seja a si mesmo. Não faça com os outros o que eles fazem com você. Quando estiver triste escute músicas em qualquer língua que você não domine, ao menos você não vai chorar naquele trecho que foi ‘feito pra você’. Crie vínculos. Faça planos ou não, quase nunca a realidade os segue. Permita-se viver em outra pessoa e tente, sempre, admirar ao menos uma qualidade no outro, mesmo que você não simpatize por ele. Mas nunca, nunca leve à sério nada que uma menina de dezenove anos escreve madrugada a fora.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Vergonha de Amar.


Pobre ou rico. Feio ou bonito. Popular ou excluído. Vamos todos parar no mesmo buraco. Com alguma decência dentro de uma caixa de madeira, podendo esta ser luxuosa ou não. Faz alguma diferença?

Vivemos num parêntese do tempo. Passamos nossos dias colecionando amores, comprando roupas, fazendo economias, estudando formulas perfeitas, lendo livros de auto-ajuda. Tudo isso numa busca desesperada pela tal felicidade. Não falamos o que queremos falar e gritamos o que devemos calar. Pensamos inúmeras vezes antes de proferir uma palavra de afeto e falamos sem pensar a primeira palavra que vem à cabeça e magoa a quem amamos.

Hoje percebo que temos medo de amar. Vivemos bitolados em nos tornarmos pessoas fortes, auto-suficientes e solitárias. Não admiramos mais as grandes famílias.

Aquele ‘eu te amo’ que eu queria ter dito quando estava deitada a teu lado, na tua cama, travou na minha garganta. Travou porque eu não sabia se era certo falar. Travou porque eu não tinha certeza. Mas é que esse tipo de coisa não é mesmo pra ter certeza. Naquela hora era aquilo que eu sentia e pronto. Por mais que daqui a duas horas eu não amasse mais, naquele momento eu te amava mais do que tudo no mundo. Se eu te dissesse que te amo, seria sincero e você tinha o direito de saber disso, você tinha que me ouvir dizendo isso. Mas enfim, o ‘eu te amo’ voltou ao coração me ferindo internamente. Só porque eu não quis me mostrar frágil... Mas quem disse que amar é fragilidade? Amar é fortaleza! É preciso ter coragem para amar, é preciso ser forte; e se não for assim, da forma que eu penso, então me responda ‘quem aqui é forte?’.

Quando amamos fingimos que não amamos. Quando não amamos fingimos que amamos. Tá tudo ao contrário. E quando você percebe, pronto, acabou.

Não espere que eu comece a dizer o que você deve, ou não, fazer enquanto está aqui gozando da arte de viver. Não espere porque eu não o sei. Sou pessoa falha, cheia de mentiras, cheia de feridas não cicatrizadas. Não tenho a pretensão de te dizer o que fazer antes de você deixar a existência para trás. Quem sou eu pra dizer como se deve viver? Mas acho, sinceramente, que existe algo que todos temos que perder. Temos que perder a vergonha de amar.

domingo, 5 de julho de 2009

Angústia.

Segundo o Aurélio, angústia é: ansiedade física acompanhada de pressão dolorosa, agonia, ansiedade, apreensão, aperto. Inquietude profunda que oprime o coração.
Angústia é o que você sente quando fala o que deve e nem ao menos ouve o que não quer. É ter ciúme e não poder cobrar. É esperar você ligar e o celular não tocar, ouvir uma música e ter vontade de chorar. É se sentir fraco, burro e incapaz.
Angústia é uma coisa dolorida bem no meio do seu tronco, é aperto e medo. É o que eu sinto agora enquanto penso em você. É o medo de nada dar certo, mesmo sabendo que no fim sempre dá.
Angústia é meu coração apertado por você me ignorar, é ver teus passos largos e não poder acompanhar, é se trancar no próprio quarto e não conseguir chorar. É o que eu sinto quando saio à noite em busca de diversão, é querer falar sim dizendo não. É te querer de qualquer forma, mesmo não te suportando. Angústia é a decepção que você cultivou em mim, é não saber se te amo ou não. É ter que ignorar o meu próprio coração.
[05.07.09]

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Preocupação?


Eu, sinceramente, queria perguntar o que houve. Meio por preocupação com aqueles olhos sedentos, meio que por sede de perceber que as coisas não se encaminharam muito bem pra ele. Mas guardei meu veneno lá dentro de mim.

Mulher Bem Resolvida.


Não procuro amores perfeitos, homens com corpos esculturais e nem um pingo de massa encefálica. Não procuro uma boquinha para beijar nos finais de semana e muito menos alguém que apenas me faça sentir que posso ser "amada". Eu não quero um troféu.
Realmente, mulheres resolvidas e bem decididas assustam os homens; os que não podem com uma mulher assim. Os que precisam de uma mulher que no fundo necessite de meia dúzia de palavras banais. Esses assustam-se porque sabem que uma mulher bem resolvida também é feliz sozinha, uma mulher bem resolvida não vai colocar outro no lugar dele apenas para preencher um cargo desocupado ou provar que "está por cima". Pois, uma mulher decidida não ocupa espaços, ela dá a mão a alguém que possa seguir em frente, o seu lado.

Mais uma lunática.


Agora, revendo todas as minhas atitudes desde o primário eu pude perceber que sou extremamente sentimental.
Sim, eu procuro um amor desses de filme água-com-açúcar; desses que acontecem a todo momento, em todos os lugares, menos com você. Sim, eu procuro um amor desses melados, cheio de carinhos e apelidos bregas. Um rapaz de família, com algumas marras e poucas manias, que repare no meu jeito de sorrir e na cor dos meus olhos. Melhor que não apenas repare, mas que fale disso. Um alguém que saiba muito de mim e ainda assim me ame. Alguém que note meu estado de humor e meus desejos assim que pousar seus olhos nos meus. Alguém que ao me abraçar esqueça o resto do mundo e me carregue junto.
Vamos, fale o que quiser; ria de mim, essa boba que vos fala. Mas eu tenho sonhos, milhares deles. E tenho medo de nunca poder compartilhar minha vida com alguém. Fazer planos, criar filhos, me orgulhar do passado. Qual a graça de viver só, pra sempre? O que impulsiona a vida é a busca da felicidade que a gente encontra no outro. Pois existem dois tipos de felicidades: um que fica escondidinho dentro da gente e um que a gente busca escondidinho dentro da pessoa certa. É preciso dar e receber amor. Amor de parceiro, amor de homem e mulher. Esse amor é essencial. E eu? Eu sou mais uma romântica-lunática daquelas que dormem com esperança no peito após um final feliz.


[16.11.08]

A Menina.


Era uma noite de chuva. Agarrada aos seus livros e casaco ela caminhava a largo passos. Olhando para o lados, com cheiro de medo. O caçador estava na próxima esquina farejando, perseguindo aqueles olhos amedrontados. Sentindo um aperto no peito e um forte cutucar em sua nuca, ela começou a correr, desesperadamente, em frente. Mas à vezes até a nossa própria razão nos empurra para a morte.
[22.02.09]

Meu Você.


Olhei através da janela e a flor me sorriu
Observei passáros, àrvores e o cheiro do vento
E eu me senti completa porque encontrei meu você
E ele sempre esteve comigo, sempre!

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Sofia e Samuel.


Ele tocou as mãos dela. Olhou profundo em seus olhos e disse que a amava. Sofia engoliu seco. Aliás, a única coisa com vestígio de água naquilo tudo eram os olhos de Samuel. Ela tentou desviar o olhar, mas isso não tirou o peso de suas costas. O olhar dele era constante, à espera de um resposta.

O Grito.


Completamente perdido; era dessa forma que se encontrava. Já tinha feito de tudo nessa vida, mas nada o completava. Entrou numa rua estreita, a luz do poste apagou e ele ficou imerso na escuridão. Um negro infinito, a não ser por seus olhos. Aqueles olhos possuíam um grito que reverberava aos quatro cantos.

Um tipo de mulher.


Eu não queria ser o tipo de mulher que não se olha uma vez só.
Eu tô cansada de escutar de todo mundo que sou linda, que sou legal, que sou simpática e inteligente. Que ninguém passa por mim sem virar pra olhar novamente. Eu preferia ser do tipo de mulher que se olha uma vez só e nunca mais muda a direção do olhar. Não preciso que estejam me olhando várias vezes se nunca olham de verdade. Prefiro um olhar só, cheio de sinceridade.

Ê vidão.


Ê vida cheia de burocracias que se transformou a nossa. É fila no banco, é papel pra assinar, documento que comprove, menino pra cuidar. É tanta coisa pra prestar atenção que se você não procurar outras distrações no dia-a-dia, sabe você pode até enlouquecer.


quarta-feira, 1 de julho de 2009

O Sorvete.


É como ter o sorvete inteiro, num dia quente de verão, e só querer comer a cereja. Parece burrice, não é? Mas quem está fazendo a escolha é você.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Medos.


Quando somos crianças nossos medos são diferentes de quando nos tornamos adultos. São diferentes, mas são medos.
Quando somos crianças temos medo de olhar em baixo da cama, de noite. Temos medo de filme de terror. Temos medo de vampiro, bruxa, vilão de cinema. Dá medo das coisas mais bobas. A gente tem medo de careta, de história de suspense, tem medo que o lobo mal pegue a gente. A gente morre de medo de um monte de coisas. O coração acelera, corremos pro quarto dos pais, fechamos os olhos e rezamos. A gente tem medo, muito medo.
Depois, os medos mudam. A gente cresce e passa a achar engraçados filmes de terror e histórias de suspense. Debaixo da cama o máximo que pode ter é um par de chinelos ou seu gato dormindo. Vampiro, bruxa, vilão? Passa a ser divertido. Passamos a correr atrás do lobo mal, porque ele é muito mais interessante que o príncipe encantado. A gente passa a ter outros medos, medos muito mais reais. Medos diferentes. A gente aprende até a ter medo de gente.
Medo de gente porque gente engana, gente se desfaz, gente demite, gente inveja, culpa, mente. A gente começa a ter medo, também, da gente. Medo de se decepcionar, medo de se frustrar, tem medo da angústia, medo de não se realizar. A gente tem medo de só achar o lobo mal e tem medo do príncipe encantado não se encantar. Tem medo de não ter dinheiro, tem medo de perder quem ama e tem medo de não amar. A gente consegue até ter medo de sentir medo.
Os medos se tornam maiores na medida em que a gente também se torna maior. Passam a ser reais na medida em que a gente se fortalece. O bicho papão existe e, muitas vezes, se finge de melhor amigo. A cama dos pais já está muito longe pra que a gente corra até ela toda noite de medo. A bruxa faz feitiços de verdade e transforma tudo. E aí, a gente tem que aprender a encarar nossos medos, bater de frente e superá-los. Às vezes sós, outras acompanhados. Mas a gente tem que aprender a enfrentá-los.


sexta-feira, 26 de junho de 2009

Uma grande mentira.


É tudo história. História que minha mãe contou enquanto eu crescia. Aquela história de príncipe que chega num cavalo branco. Aquela onda de sapo que vira príncipe, de bruxa que morre no final, de fera que vira bela. É tudo mentira. Esqueceram de me contar essa parte. Eu fui crescendo e descobrindo, e confesso que até hoje me surpreendo. É tudo mentira agora eu entendo.
É mentira essa história de que existe uma metade da laranja, uma tampa pra panela, um amor escrito nas estrelas.
Com o tempo eu descobri que mil e um caras vão me chamar de linda, mas quase nenhum vai querer acordar ao meu lado. Que muitos vão querer me levar em casa, mas quase nenhum vai querer me pegar, na minha casa. Percebi que a grande maioria vai dizer que meus olhos brilham diferente, que meu cheiro é irresistível e que meu cabelo é lindo. Mas poucos vão ter curiosidade de saber qual hidratante eu uso, de saber qual xampu eu comprei na última feira e outros, menos ainda, vão querer saber por qual motivo meus olhos brilham.
Esqueceram de me dizer que eu iria freqüentar as baladas pra conhecer pessoas interessantes e que, a maioria dessas pessoas interessantes, estaria indo nas baladas para comer pessoas interessantes. Esqueceram de me dizer que beijar na boca seria a coisa mais banal do mundo e que iriam querer me convencer, a todo custo, que sexo também é. Esqueceram de me avisar que seria difícil não acreditar nessa parte do sexo.
Também não lembraram de dizer que eu ia me magoar infinitas vezes achando que tinha encontrado o cara certo. Que eu ia dizer que amava do fundo do meu coração e que eu ia chorar igual a uma menininha que cortou o pé. Não lembraram de me contar que o príncipe encantado nem sempre é bonito e que quando ele é, dá um trabalhão danado. Esqueceram, por exemplo, de dizer que as pessoas falam muito por aí. Fazem juras, promessas e depois se esquecem, com o tempo. Não me disseram que algumas pessoas iriam me fazer sofrer só por amor-próprio, só por maldade, só por inveja. Alguns sentimentos ruins, eu também não fiquei sabendo que existiam.
É tudo mentira, eu não acredito mais em uma vírgula desses romances escritos por mocinhos e moças apaixonadas. Me falaram um monte de coisas que não existem. E esqueceram de me alertar sobre o que eu, de fato, ia encontrar.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Apenas uma personagem.


Vou-me embora, mas não será pra Pasárgada! Vou embora pra qualquer lugar. Ouvi dizer que não importa onde se está indo, o mais importante mesmo é ir. É saber que quer ir, é ter vontade de ir. E eu sei que quero, sei que devo ir... Mas sinceramente, não consigo imaginar pra onde vou. Ir embora se tornou primordial pra mim, de forma que sinto que se eu continuar aqui algo de terrível fosse me acontecer. Sinto-me sufocar aqui. Preciso de algo muito maior do que isso que me oferecem, esse quase nada mesquinho. Essa promessa de ilusão. Chega uma hora determinada na vida, que a gente cansa de ser sempre tão passível e aceitável. A gente cansa de ver tudo errado e não poder gritar: “Pô! Você me machucou sabia?” A gente cansa e perde a vontade até de dar o troco. Acho que esse determinado momento da vida de uma pessoa, já chegou pra mim faz um tempo. Eu é que ainda não me dei conta que sou mera personagem dessa história em quadrinhos fantasiada de cores, e que tenho, como qualquer personagem, que acatar obedientemente as vontades daquele que me dá forma e vida. Talvez eu possa, como um personagem rebelde, ganhar algum tipo de personalidade e tentar seguir as páginas com meus próprios pés. Mas dependo não só daquele que me escreve, mas também daquele que me desenha. Que me pinta em preto e branco, que me deixa isenta de cor. E talvez meu criador, dependa muito mais de mim que eu dele. Se ele apenas me encarar como um projeto sem futuro e me abandonar aqui nessas páginas, continuarei a ser eu mesma. Em preto e branco, seguindo essa estrada, pra todo o sempre, eternamente, numa escala de tempo que não sei nem mesmo se existe. Mas o que será dele? O que será que ele vai fazer se me deixar aqui, rabiscada, faltando um pulsante vermelho chamado coração? Faltando-me a vida! Agora me dou conta, falta-me a vida! Uma coisa rara e brilhante que todos pensam ter. Como são ingênuos esses outros personagens desse caderno de memórias. Julgam-se independentes. Acham que vivem. Não sabem que, como eu, são apenas vidas que se alimentam da vida de outro ser. Pouco sabem que somos apenas papel em branco, caneta preta e algum talento perdido. Não perceberam que temos apenas que fugir, fugir pra algum lugar. Eu já me dei conta disso, sei que tenho que ir.. e estou indo.. mesmo que no meio do caminho haja uma ponte quebrada e eu precise voltar e convencê-lo a construí-la. Usar de meu charme, de minha delicadeza ou até de minha chantagem. Depois eu volto e atravesso a ponte, quando ele se encontrar distraído com vocês. Ou talvez eu nem precise me dar ao trabalho de construir uma ponte de velhas madeiras. Talvez, eu possa simplesmente me atirar e nadar, num turbilhão de conversações. Tentar sobreviver em meio a essa loucura. Estou indo...Se eu conseguir fugir, prometo não mais voltar pra declarar meu sucesso.

Amiga lua.


Nesse silêncio em que me encontro, ao olhar pela janela vejo uma lua que acabou de começar seu desfile num céu que subitamente passou de nublado a estrelado. Num momento de total intimidade com a lua me encontro. Ela, que tantas vezes ouviu minhas lamentações e realizou meus desejos. Tomo a liberdade de fazer mais um pedido a essa linda solitária que me acompana nas noites silenciosas. Conversando com ela eu peço para que dê mais uma chance de passar uma noite ao teu lado, mas dessa vez sob os olhares dourados dela. Peço a ela, que irradia tanta beleza e solidao, que toque teus olhos onde quer que estejas. E que ela possa te mostrar que minha única pretensão é poder passar mais milhares de momentos maravilhosos ao teu lado. Talvez não seja eu quem mais vai te fazer feliz, a pessoa certa. Mas eu tenho certeza que sou quem mais quer tentar e acertar. Por isso peço ajuda à essa minha companheira distante. Sei que, tão bem quanto eu, ela sabe a solidão de estar no escuro, seguindo uma trajetória pré-definida por alguém que nos tem como marionetes e que talvez saiba mesmo o que é melhor para nós. Essa lua, um ponto dourado num céu negro salpicado de prata, será um ponto de encontro dos nosso olhares onde quer que eles estejam. Quando, em uma noite fria e calma como a dehoje, você, por um segundo se sentir só e melancólico e fitar minha amiga lua. Nesse momento, você descobrirá que os meus olhos também fitam-na pensando em você!

Uma necessidade.


Ela só sabia de uma coisa: precisava fugir!Agora mais do que em qualquer momento. Ela tinha que sair daquele quarto-sala que a sufocava! Ela precisava correr pra bem longe daquelas almas que a esganavam e puxavam pra baixo... Ela só precisava de um sorriso colorido e meia dúzia de palavras-promessas saídas da boca de quem quer que seja. Um pouco de luz, por favor. Um pouco de som, de grito, de ruídos ensurdecedores. Ela queria álcool! O que mais poderia deixá-la melhor? Nem a busca pela qual ansiava há tanto tempo deixaria ela melhor do que álcool! É terrível imaginar isso, mas é verdade. Ela só precisava se expandir e tomar espaço. E se sentir incontrolável, imbatível, cobiçada. Mas a única coisa que restava eram paredes. Ela nem era assim tão triste quanto parecia enquanto digitava. Ela era só uma menina precisando de cores. Precisando danadamente de cores e luzes, isso, luzes coloridas. Piscando.. deixando-a zonza. Tragando-na!

A menina e a mulher.


Este é mais um relato de uma adolescente. Nesse caso nem sei mais. Talvez uma ex-adolescente. Que seja... É o texto de que cansou de você. O texto de uma garota que sempre diz que cansou disso, ou daquilo outro. Mas na verdade, ela ainda não cansou de cansar. Essa menina tão mulher ta perdendo a graça pra falar de amor, de paixão. Porque, por mais que ela tente, as circunstâncias levam-na a crer que amor é uma instituição falida. E a menina cheia de sonhos tem saudades da mulher fatal. Aquela mulher parece ser tão mais feliz que ela. Aquela mulher consegue tudo o que quer. Vai atrás, luta, joga, usa, ela não tem medo de se machucar (ela sabe que não se machuca), ela não tem medo de errar (sabe que será perdoada). É aquela mulher de cinema, que sabe até onde ir e onde parar. Que até curte, mas não se envolve. Mas sabe essa mulher tão segura? Ela sente inveja da menina cheia de sonhos, da menina frágil que se apaixona e quebra a cara, da menina romântica que se envolve dos pés à cabeça. Ela sente inveja porque no fundo ela queria ser assim, mas a forma com que a vida se faz transformou-a numa pessoa fria, vingativa e manipuladora. Mas chega um dia em que elas são postas uma de frente pra outra... A menina? A menina só quer ele, ele não a quer. A menina não sente mais vontade de sair e quando sai só vê graça se ele estiver por perto. A menina só pensa nele, mas quem pensa nela? A menina tem cuidado pra não machucar ninguém, mas vive sendo machucada. A menina não fica por ficar, por esse motivo não fica com ninguém. A menina espera o telefonema, mas seu celular nunca toca. Ela aguarda 'o dia', este passa como se fosse qualquer outro. Se arruma pra ele, ele nem vai. Mas e a mulher? Ah, a mulher não quer ninguém, mas tem uma fila de pretendentes. A mulher está preparada pra sair a qualquer hora e quando sai é como se fosse a última vez da sua vida, e é sempre a melhor vez da sua vida. A mulher só pensa nela e mesmo se não o fizesse teria milhares de seres mortais para fazê-lo. A mulher, ela não ta nem aí se vai machucar alguém, ás vezes a intenção dela é justamente essa. A mulher? Ela só fica por embalagem, descarta qualquer cara que tenha algum conteúdo e queira satisfazê-la com algo além de carne. O que ela quer mesmo é um rostinho bonito e um corpinho gostoso ao seu lado. E acredite, ela sempre tem um diferente. A mulher desliga seu celular porque está de saco cheio dos caras que não o deixam parar de tocar. Ela não aguarda nada, com ela as coisas simplesmente acontecem. Ela se arruma pra ela mesma, eles não resistem nunca. Essa mulher tem o poder, tem o controle. Quem será a mais feliz das duas? A mulher se sente tão só quanto a menina. A diferença entre elas é que a mulher não tem tempo para as coisas do coração. Quer dizer, a mulher não admite. E essa batalha é travada todos os dias no coração de uma menina com seus pouco mais de quinze anos. Ela é essa menina e essa mulher. É uma garota que vive entre os sonhos e a realidade. É uma menina que ela deixou pra trás e não lhe larga, é uma mulher à sua frente que lhe escapa.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

A Felicidade.


Qual o peso da felicidade? Frágil que só ela. Disseram uma vez na tv que a felicidade não existe, o que existe são momentos felizes. Isso quer dizer que a tristeza existe e ás vezes é interrompida por uma dose de felicidade? Quer dizer que somos apenas um monte de seres humanos infelizes que habitam a Terra? Já ouvi dizer também que a felicidade é frágil como uma bolha de sabão. Ás vezes, sem nenhum motivo aparente ela some mesmo. E azar de quem a apreciava. Eu me pergunto se devemos acreditar em tudo que lemos, que ouvimos e até mesmo naquilo que escrevemos. Felicidade, palavra que não deveria ter significado no dicionário. Se eu sair por aí e fizer uma pesquisa do tipo “Pra você, o que é felicidade?”. Já pensou a gama de respostas que eu obteria? Um gordinho talvez me respondesse: “Felicidade é poder comer sem culpa!”. Uma futura mamãe diria: “É sentir meu bebê chutando minha barriga!”. Uma jovem apaixonada: “É ter o amor da minha vida ao meu lado!” e uma criança talvez me respondesse: “É jogar bola com o papai!”. E isso é apenas uma pequena fração das possíveis respostas. São apenas as repostas sentimentais. Mas eu também poderia obter as seguintes: “Felicidade? Ah, felicidade é ganhar o carro do ano!” diria um garoto qualquer. Ou, “Felicidade é aquela jóia que eu vi na vitrine. Se meu marido não me der ela, ele conhecerá o que é tristeza!” responderia uma perua enquanto fazia compras no shopping. Mas e pra você? Pra você o que é felicidade? Porque pra mim, felicidade é muito mais que o carro do ano, uma jóia ou um cabelo liso igual ao da protagonista da novela das oito. Felicidade é muito mais que uma roupa nova ou uma casa bonita. Felicidade pra mim é algo tão simples que eu não entendo como a maioria das pessoas passam a vida buscando ela e não a encontram. Eu diria que a minha vida é inteira de felicidade, mas com momentos de tristeza. Claro que não são raros. Mas também não consomem todo tempo da minha vida. Felicidade é melar o rosto com um sorvete qualquer, é ter amigos e poder ser transparente com eles, é ter uma família que se preocupada com você (ás vezes em demasia, é verdade...), é sorrir! Felicidade é cor, é som, é respiração (fraca, forte, quase parando), é coração! Talvez ela seja sim, frágil como uma bolha de sabão. Mas sempre tenho à mão aquele baldinho, aquela armação de arame e muito ar nos pulmões e posso muito bem soprar, soprar e soprar, quantas vezes forem necessárias pra formar novas bolhas de felicidade. E ao longe me deliciar com suas formas e cores. E você? O que faz com sua felicidade? Deixa que ela venha aos poucos e suma fácil ou faz por onde venha em doses múltiplas e coloridas?

Silêncio


Não gosto de silêncio, mas sei quando é bem vindo.

Estrela.


É nas horas mais dificéis da nossa vida que a gente procura o céu. E sempre que precisarmos a estrela estará lá. Distante, talvez. Porém brilhante e presente sempre que nos atrevermos a olhar em sua direção.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Me desculpa.


São mil tentativas frustradas de te amar.
Eu tentei, de novo, sentir por você um terço do que você sente por mim. No começo foi bem melhor do que alguns anos atrás. Você mudou, tenho que admitir. Mudou pra melhor. E continuou me guardando dentro de você. Apesar de todas as minhas falhas, todos os meus erros, todo o meu abandono e preconceitos. Você continua sempre ali me esperando precisar. Sempre com elogios, apoio, carinhos.
Eu tentei, eu juro que tentei. Juro que até me surpreendi. Juro que dessa vez eu bem que gostei. Mas eu não sei o que acontece comigo. Tudo perde a graça, de repente.
A nossa história podia até virar livro. Um sentimento de infância, um reencontro inesperado, uma felicidade súbita, uma dúvida eterna. Tinha tudo pra dar romance, desses de novela. Mas eu sempre acabo com tudo de bom que possa haver na minha vida. Eu não consigo dar um final feliz à nossa história. Depois eu reclamo, reclamo, reclamo e como se não bastasse, eu reclamo novamente.
O que me resta é te pedir desculpas. Desculpa por não conseguir te levar à sério, como você me leva. Desculpa pela falta de atenção. Desculpa por não te ligar e às vezes não atender ou te dispensar quando você me liga. Desculpa por ter te dado esperança, mesmo sabendo que em mim nada mudaria. Desculpa por ter sido carinhosa e por não ter pensado em você enquanto você me abraçava e protegia. Desculpa por não conseguir fazer minhas as suas palavras quando muita saudade você afirmou ter. Me perdoa por não conseguir amar você.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Louíse.


Após um dia inteiro de trabalho ela chegou em casa. Tirou seu salto alto, preparou uma dose de uísque, pôs um som ambiente. Tomou o uísque de um gole só, o que ajudou a digerir mais um dia de trabalho. Tirou sua roupa e entrou debaixo do chuveiro sentindo cada gota percorrer seu corpo. Enrolou-se num roupão branco, enrolou seus cabelos numa toalha macia e se atirou no sofá. Sentiu falta de alguém, mas ela não sabia de quem era. Lembrou-se que desde o café da manhã não comera mais nada. "Que preguiça de cozinhar.", pensou. Mecanicamente pegou o telefone e ligou para a requisitada pizzaria da esquina, aquela que não atrasava a comida por ser absurdamente ao lado do seu apartamento. Mas, no meio da ligação, desistiu. Decidiu que hoje seria um dia diferente na sua rotina. Trocou de roupa (um simples pretinho básico), penteou os cabelos, colocou um pouco de perfume e voltou para o carro. No caminho (para algum lugar que ela ainda não sabia qual era) foi passando batom e procurando as velhas amigas esquecidas nos registros do seu celular. Todas se surpreenderam com a ligação. Mas, ao contrário do que Louíse imaginava, todas recusaram o convite; estavam muito ocupadas com as famílias que haviam construído e Louíse sentiu uma ponta de inveja. Ela resolveu jantar sozinha. Escolheu o melhor restaurante da cidade, pediu o melhor vinho e o prato mais caro da casa. Resolveu se dar ao luxo, mas isso não funcionou muito bem. Foi ficando amuada. Olhou ao redor... casais, famílias, amigos... Sentiu vontade de chorar e correu ao banheiro. Olhou-se no espelho e enxergou, se enxergou! Louíse havia esquecido que era uma mulher, com desejos e sonhos. Louíse se tornara a imagem e semelhança da empresa. Percebeu que num egoísmo desenfreado esqueceu que é impossível ser feliz sozinha. Quis ter um amor, quis fazer um filho. Saiu do restaurante atordoada.
Quatro horas depois, um silêncio absoluto. Manchas de sangue no seu apartamento e um bilhete, caso alguém sentisse sua falta. Louíse pensou que não havia mais tempo para ser feliz.

O Ratinho.


Um bichinho na floresta, acuado e indefeso. Se achava o predador mas era só um ratinho. Chegou o lobo, em pele de cordeiro e... era uma vez o ratinho.

Thamysia.


Ela era uma menina, quase adulta. Mas ela não queria crescer. Tinha cabelos louros imensos, até dois dias atrás, quando por pirraça ela os cortou dentro do banheiro. Naquele dia, sua mãe chorou. Olhou com espanto para os cabelos de sua filha, agora batendo nos ombros e perguntou a Deus porque o mundo há de ser assim tão esquisito e rude. Mas é que ninguém tinha o dom de entender Thamysia. Ela era só uma menina com quase vinte que não queria crescer. Uma menina que queria fazer birra e brincar com suas bonecas, esquecer como o mundo lá fora é dolorido. Thamysia sabia que agora já era tarde. Então, ela deitou-se no seu lençol de listras coloridas e ficou ouvindo o tempo passar junto com sua própria respiração.

De quê adianta?


Será que adianta ser toda essa fortaleza?
Eu não tenho cereza se sou mesmo essa beleza que afirmo ser.

Talvez eu viva de enganos
Eu não tenho certeza se me valerão à pena
Tantos anos.

Não adianta mais.


Já começo a achar bastante provável que percamos o contato. Normal, acontece com todo mundo que muda de visão de mundo. Com a gente é claro que não podia ser diferente.

Acho incrível como mudamos em menos de um ano. Já experimentei vários "você" diferentes desde a primeira vez que te vi. Talvez eu seja tradicional demais, mas confesso que ainda hoje eu ficaria com o primeiro.

O que acontece é que quando a gente tenta não sai muito papo. A gente tenta mas quando vê o assunto já encerrou. Mudamos de vontades, de idéias, de saudades. Nos mudamos. Eu de mim e você de si. Nos mudamos um do outro e nos instalamos; eu num canto e você em todo canto.

E não restou o que fazer. De vez em quando sinto falta do aconchego dos teus braços, do calor do teu toque, teus ouvidos sempre atentos, teus gemidos, tua boca e teu veneno. Falta faz, mas não adianta mais.



[18.05.09]