Encontre aqui.

domingo, 3 de outubro de 2010

Esse medo.



Existem algumas coisas no mundo que são irresistíveis – ao menos para mim.

Tua barba arranhando no meu rosto, o cheirinho do teu pescoço, teu beijo cheio de desejo. Existem coisas que eu não resisto, como: ter ciúmes de você.

Pra mim é difícil de reconhecer isso, já que eu nunca tive ciúmes assim. Mas é que eu nunca amei assim, na verdade eu nunca amei.

Eu olho pros teus olhos e tento não ter medo, mas é inevitável. Apesar de toda certeza que tenho, toda segurança que a gente se ama, ainda assim o medo alguns dias se instala, senta e cruza os braços, como se fosse tão dono de mim quanto você.

Esse medo que eu nunca tive porque eu nunca tive nem nunca fui de ninguém. O medo por ser tão de alguém e acabar por nem ser minha.

Logo eu, que nunca tive medo desse medo, porque tinha certeza que ele nunca o sentiria.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Sete.


Se fosse uma semana seriam sete, dias.

Se fosse uma gestação seriam sete, semanas.

Se fosse julho seriam sete, meses.

Se fosse uma criança seriam sete, anos.

Se fosse um gato seriam sete, vidas.

Se fossem capitais seriam sete, pecados.

Se fosse um segredo seria a sete, chaves.

Se fosse uma família seriam sete, irmãos.

Se fossem tentativas seriam sete, vezes.

Se fosse uma escada seriam sete, degraus.

Se fosse um jogo seriam sete, níveis.

Mas somos só nós dois.

Eu, você e ninguém mais.

São sete meses, dia a dia, todas as semanas.

Serão mais sete anos, nossas vidas.

Com pecados?

Alguns, às vezes. Guardados a sete chaves, irmãos dos desejos e da carne.

É o sétimo degrau do nosso amor, apenas o sétimo nível.

Eu te quero pra sempre, com seu sorriso sincero, com seus olhos amáveis, com seu abraço apertado.

São sete meses, amor.

Os sete mais maravilhosos do mundo.

E então eu posso resumir o que sinto em sete, letras: EU TE AMO.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Só hoje.


Eu sei que mais ou menos dia essa tristeza vai passar.
Eu vou voltar a sorrir até as bochechas doerem e vou te ameaçar de novo, pela décima vez.
Eu sei que esse cansaço vai acabar, que eu vou querer mais do que minhas pernas podem alcançar.
Mas agora deixa eu curtir esse baixo-astral, esse desânimo, essa coisa sem graça que foram os últimos dias e hoje, em especial. Me deixa desejar que eu ainda pudesse deitar no colo da minha mãe e chorar, dizendo que perdi meu lápis de cor vermelho. E ali mesmo adormecer enquanto ela cantava uma cantiga de ninar.
Hoje eu só quero ser fraca e poder demonstrar fraqueza pra quem quiser ver. Virar até artista de circo por isso. Hoje, deixa quem quiser ver que eu choro sim. E que meu nariz e minha boca ficam vermelhos, enquanto os olhos inundam.
Hoje me deixe dormir soluçando, amanhã quem sabe até acordo cantando. Mas hoje, me deixa ser eu.

Desonestidade.



Odeio fingir.

De verdade, odeio hipocrisia. Sorrir pra agradar me dá dor nas bochechas.

Sim, sou política. Acho que minha personalidade nunca tinha sido tão bem descrita. Agrado aqui, agrado lá. Tento cobrir três santos sem descobrir o quarto. Mas eu odeio falta de reciprocidade. Eu odeio levar alguém à sério quando não deveria ter levado. Na verdade, eu odeio me enganar com as pessoas.

É como se gritassem no meu ouvido: “ô babaca!”

Odeio ser acertada pelas costas. Odeio quando planejam contra mim e mais ainda quando eu não espero. Odeio ser surpreendida!

Eu to triste, mas eu não chorei. Sei que vou acabar fazendo isso, ainda que seja num momento em que não tenha motivos. Sei que vou escutar que é TPM. E sei também que existem coisas que a gente pode até pensar, mas não fala. Por respeito, por atitude, por poder mostrar a cara, abrir um sorriso e olhar nos olhos. E eu sou assim... Sou política e sei forçar sorriso, ainda que resulte em dores musculares. Mas eu nunca vou saber fingir um olhar sequer.

domingo, 25 de julho de 2010

O que guardei pra você.


Eu guardei mais que amor.

Guardei meus olhos e meus sorrisos, meus beijos, meus abraços... Guardei todos os meus sentidos.

Eu sabia que te conheceria um dia.

Esperança serve para esse tipo de coisa. Pra acreditar e esperar pelas coisas que não dependem exclusivamente da gente.

Então, como uma criança zelosa que cresce, mas não se desfaz dos seus brinquedos. Eu, como uma jovem sonhadora, guardei meus sonhos, pra te dar quando você chegasse. Alguma coisa me dizia que você saberia o que fazer com eles.

Eu coloquei tudo num baú. Guardei o cheiro de banho, a roupa fresca do verão, o casaco do inverno.

Joguei, lá no fundo do baú, os crimes que cometeria e todas as leis que eu não aceitava. Guardei cada lágrima, cada desejo (por mais íntimo que fosse). Guardei minha pele, meus sussurros, meus medos. Guardei minhas chances, meus erros, meus acertos. Eu escondi tudo de mim, tudo de todo mundo.

Ergui muros ao meu redor, queria apenas me proteger. Guardar o tesouro que eu tinha conquistado, mas que nunca foi digno de ninguém.

Como a menina sonhadora e iludida que acredita no príncipe que salva a Rapunzel na torre isolada, eu também acreditava que você me encontraria. E por mais que eu me escondesse, você farejaria. Você seguiria os rastros, só você entenderia.

Por isso eu guardei tudo. Nunca falei pra ninguém, nunca mostrei pra ninguém. Seria tudo seu, eu e todo o resto, assim que me encontrasse.

Durante muitos anos, muita gente fingia ser você. Algumas vezes vacilei, mas nunca me entreguei. Nunca, durante tantos anos, entreguei os pontos. Na hora de decidir, eu hesitava. E, com isso, sabia que não era você. Eu sempre soube que quando fosse você apenas uma coisa restaria no meu pensamento: É ELE!

Então eu esperei... Como um garoto paciente espera seu presente –tão desejado- de Natal. Eu esperei impacientemente.


E você chegou!


Disseram pra garota dos contos de fada que os príncipes nunca existiram. Ela acreditou.

Sorte minha que eu nunca acreditei em tudo que falam.

Sorte minha que eu esperei e acreditei.

Eu sempre soube que você existia.


sexta-feira, 23 de julho de 2010

Quando se ama.


Como era simples escrever sobre aquelas paixões platônicas da adolescência. No começo das relações "amorosas" a gente se envolve tanto e tão pouco. A vida é latente, intensa e as coisas acontecem em frações de segundos. Começam e terminam em intervalo de dias. Acontece de tudo, a gente pensa que ama. Só ilusão. Sinto dizer que isso acaba, passa rápido com os anos, há quem nem note passar.
Isso tudo passa e vem uma coisa bem complicada. O amor! O amor maduro, construído, vivido. O amor amado. O amor cúmplice, o ciúme, a estabilidade.
O que dizer de um sentimento tão novo e tão antigo? O que dizer de um mundo tão lindo?
Nesta fase não me pergunto mais se estaremos juntos amanhã, eu confio que estaremos juntos nos próximos dez anos e mais vinte, mais trinta e pra sempre. O ciúme não é por medo de me sentir mais feia ou de ser trocada, o ciúme é por medo de perder o sentido e o prumo da minha vida. É por medo de me tornar descrente do mundo e de tudo. A felicidade vem por ser amada e sobretudo por poder amar.
Esse é o grande medo do amor. É que quando a gente ama, quando a gente ama de verdade, não fazemos planos, traçamos metas, desenhamos nosso destino com um só objetivo; o de construir nosso futuro. E uma pedrinha encaixada no lugar errado pode fazer tudo ruir.
É um risco que se corre. mas vale à pena, quando a gente ama.

sábado, 29 de maio de 2010

Excrucitante!


Se eu morro de ciúmes de você?

Não, acho que essa não é a frase mais apropriada.

Se fosse só ciúme, desses que toda menina apaixonada sente, era fácil de lidar.

Não é medo que você seja de alguém, medo de traição ou coisa assim. É muito além.

É medo de te perder da minha vida. Medo de me desgrudar de você. Medo de que esse sentimento possa ser destruído.

É medo de ficar sem você.

É medo de me decepcionar. A decepção destrói tudo e pode ser muito mais forte que o amor. A mágoa? Vive ao lado da decepção, praticando barbaridades nos corações desprotegidos.

A frase mais apropriada, talvez fosse: se a gente se perder, todo o resto perde o sentido.

Eu não sei se dá pra acompanhar o raciocínio. Acho que não me traduzo muito bem.

Ficar sem você, seria como perder uma parte de mim.

Ou, como Clarice diria, ‘como perder um dente da frente, excrucitante!’

Eu seria uma pessoa pior, sem escrúpulos, sem paz, sem esperança. Ficaria descrente de tudo. Dos olhos, do sentimento, do sorriso, das brigas, dos torpedos, das mãos dadas, do suor, do abraço quente, do amor olhando nos olhos, do fazer amor.


Se você me perder eu não te perdôo mais nunca!