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quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Uma Proposta Irrecusável.


Eu recebi uma proposta.

Uma proposta irrecusável.

Me propuseram morar noutra cidade, com outros ares, tudo diferente. Diferente desses seis anos que morei aqui. É uma cidade arborizada, fresquinha de dar gosto, daquelas que nos faz acordar com um sorriso no rosto.

E eu tenho que tomar a decisão de ir morar lá e deixar algumas coisas pra trás. É claro que quando quiser eu poderei voltar pra cá, mas algumas coisas serão perdidas. As pessoas ao redor irão me culpar. Elas não conseguirão entender, elas não conseguirão acreditar que eu voltarei sempre que puder, mais comedida é verdade, mas a mesma de sempre. Elas não irão entender porque trocar o agito dessa cidade pela tranqüilidade daquela outra que mal conheço. Elas não vão entender que quero tentar. Elas vão deixar tudo mais difícil.

Comecei a passar alguns dias lá e voltar outros, já notei a diferença. Como as pessoas mudam simplesmente porque você resolve dar um rumo diferente para sua própria vida! E o cheio da minha cidade de sempre, o cheiro de suor e pitangas invade meu olfato como que me implorando pra ficar.

Mas eu quero ir. Eu vou ter que ir. E eu sinto muito se vocês não puderem me compreender, apenas queiram me ver feliz, apenas isso.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Involuntariamente.


Eu te olhei e você me olhou
O interesse surgiu no mesmo instante,
como mágica.
E agora, não consigo mais ficar sem te ver.
Não quero virar seu melhor amigo, apenas.
Quero ser seu homem.
Você sentiu o que eu senti?
Músicas tocaram, flores se abriram
E teus lábios a me sorrir
Diga-me que sentiu o que eu senti.
Se quer que eu responda
Eu digo sim
Quando te olhei, sim
Eu sorri
Foi involuntário, não sei explicar
Eu só queria ficar perto de você
Eu só pensava em te tocar
Uma coisa assim
Acho que nunca senti
Pra ser sincera nem acreditava mais em paixão
Mas quando te vi,
Involuntariamente sorri
Logo entendi que é assim, que se expressa o coração.

05/10/09

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Corre pro abraço.


Era uma vez

Uma menina que acreditava nas pessoas

E queria continuar acreditando nisso


Eu prometo que,

Ela vai ser sua

Se não agora, com certeza num dia desses

Espere, aguarde e verás

As coisas vão se ajeitar

Ela está te dando outra chance

Porque você não agarra logo com todas as forças que conquistou nesses últimos anos?


Talvez ela tenha te feito sofrer,

Muito ou pouco, não importa

Sofrer nunca é bom

Mas já ouviu falar de indenização?

É isso que ela quer te dar


Te mostrar um sorriso sincero todo dia

Se preocupar com sua vida e com o que te cerca

Estar sempre do teu lado

Fazendo valer o amor que você sente por ela


Porque você não pára de perder tempo

E corre logo pro abraço?

sábado, 10 de outubro de 2009

Alguém.


Ela andava meio perdida. Tinha tudo aquilo que queria. Amigos, família e luxos. Pagava suas contas, dirigia . Tinha a cabeça boa. Estudava, era boa nisso. Trabalhava, era esforçada. Vivia em baladas, festas e afins. Mas não se sentia completa. Faltava alguma coisa. Faltava um ombro pra encostar e sorrir. Faltava um sorriso pra admirar, uma mão pra se agarrar, braços pra se apoiar.

Ela se sentia só. Porque, por mais que procurasse era sempre o mesmo blábláblá que ouvia da boca de todos os homens com quem se envolvia. Tudo sempre terminava, da mesma forma que havia começado.

Ela só queria uma sincera companhia. Alguém pra acarinhar. Alguém com quem pudesse se preocupar, e cuidar. Alguém que conseguisse lhe amar.


sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Superficialidade.

Eu decidi sair com meus amigos. Sexta à noite, dia de tomar uma, relaxar, se divertir. Não consegui fazer nenhuma dessas coisas. Por causa de promessas, mancadas, vontades e dúvidas. Fiquei de lá pra cá, olhando as pessoas e suas inúteis relações.

Foi quando, enquanto uns amigos se questionavam o porquê de eu estar calada e esquisita, ouvi um deles dizer que eu era diferente mesmo e que era complicado saber o que se passava na minha cabeça. Falou que eu era, um tanto quanto, indecifrável.

Talvez eu seja, ou talvez não. Talvez as pessoas estejam tão preocupadas em serem superficiais ao extremo que esquecem, ou têm preguiça mesmo, de parar alguns instantes e observar alguém. E procurar saber suas angústias, seus medos, seus sonhos, seus anseios. Talvez as pessoas não se preocupem mais com essas coisas, ou nem tenham tempo.

Mas eu sinto muito, sinto muito por não conseguir seguir a massa. Eu seria hipócrita em dizer que não tento, mas sou verdadeira quando digo que não consigo. Não consigo não ser de verdade com as pessoas, não consigo viver de falsidade, mentira, superficialidade.

Eu não quero um relacionamento de conto de fadas. Não quero um manto protetor em volta dos que gosto. As pessoas têm defeitos mesmo e a graça estar em aprender a viver com eles. Porque, sempre, extrair apenas o que lhe é conveniente? Porque exigir e não dar? Não, cansei desse mundo, desse jeito. Como diria Clarice, ‘com toda essa superficialidade medrosa’. Eu quero mais, quero muito além disso tudo.

Num bar, sexta feira à noite, as pessoas se olham e se comem com os olhos, e com a boca, com as mãos, com o pensamento. As pessoas pecam. Destroem relacionamentos e seguranças, destroem confiança. Confiança conquistada depois de anos, se dilui.

São apenas sorrisos bonitos, pessoas que fingem felicidade, a todo custo. Pessoas que terminam relacionamentos da mesma forma que começam, sem pra quê. Pessoas que mentem pra não ficar por baixo. Pessoas que querem ferir e matar. Matar o ego, matar auto-estima, matar o amor.

Não, eu não me rendo a isso. Não me rendo ao não sentimento. Não me rendo à mentira, não me rendo à superficialidade. Quem quiser que me julgue estranha. Que me chame de encalhada, que diga que ta me faltando homem. Quem quiser que diga qualquer coisa. Vai ver eu sou estranha mesmo. Estranha por querer algo de verdade na minha vida. Algo além de um sorrisinho bonito na sexta à noite, algo além de um cara com carro e dinheiro na carteira pra pagar minha cerveja, algo além de um cara com namorada que deixa ela em casa e mente.

Se isso é ser estranha, diferente. Sou isso aí sim. Sou porque não quero pouco, nem pela metade. E antes de ter a mentira, prefiro não ter nada.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

A personagem principal.


Ela era apenas uma menina
Com meias até os joelhos
Ela era uma garota
Sem sorte em relacionamentos

Ela queria brincar de ser amada
Sentir frio na barriga
E todas aquelas coisas que as amigas dela falavam

Ela tinha meias de todas as cores
Colecionava amores
Em vão
Pessoas vazias,
Botões

Ela ainda brincava de boneca
E nessa história era ela
A personagem principal
A princesinha do castelo
A rapunzel que teve que descer da torre
Indo em busca do seu príncipe encantado
A chapéuzinho que correu para a estrada em busca do lobo mal
Porque nunca soube fazer biscoitinhos pra vovó

Coração birrento.


Esse final de semana eu saí, fui curtir com as amigas, desopilar, dançar, sorrir.
Eu vi, vi pessoas se beijando. Vi pessoas se agarrando. Vi pessoas seduzindo, e sendo seduzidas.
Vi falsos sorrisos, beijos de mentira.
Meu Deus, como é tudo tão superficial. Como é que tudo isso me bastava?
Chega um certo momento da vida em que precisamos amar.
E quando o coração chega ao ponto de implorar por amor não adiantam os paleativos.
Não adianta sair e numa noite beijar sete gatos distintos.
Não adianta receber o telefonema daquele cara muito lindo que não quer nada muito além de te levar pra cama.
Não adianta receber carinho de amigo, nem dançar agarradinho com um desconhecido.
Quando um coração pede amor, meu amigo. Ele quer amar, quer amar de verdade.
E se você não dá o que ele quer...
Ah, o coração é menino chorão.
É criança birrenta que grita, faz escândalo e se atira no chão.
Faz isso tudo só pra chamar atenção.
Mas a grande diferença é que pra criança birrenta sempre há solução.
Pode ser um carrinho, uma boneca, um videogame, um patinete.
Já com o coração, a coisa é bem diferente.
Porque o presente que esse mimado cheio de gostos quer, não vem de você, vem de um outro que às vezes você nem sequer chegou a conhecer.
E a única alternativa é esperar o dono do presente chegar.
Enquanto ele não chega, nem se preocupe.
O coração não vai te deixar em paz. Ele vai gritar, chorar, bater pra caramba dentro do teu peito.
Implorando por algo que você nem sabe se existe.